quarta-feira, 30 de julho de 2008

Carlos Drummond de Andrade

Este poeta é fabuloso, primeiro que a sua obra é singular e segundo porque toda vez que o leio descubro algo de novo.
Estes dias enquanto apenas navegava e fazia alguns testes no Google para uma pesquisa escolar dos meus alunos do Ensino Fundamental descobri esta jóia de poema do mineiro Carlos. Leiam..


Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...

Caro Amigo...


Ontem tu me falavas da enorme solidão que te aflige. Como é difícil viver só no meio de todo mundo. A solidão é como o verso de Djavan "morrer de sede em frente ao mar". Mas meu amigo tu és ainda muito novo para sentir uma enorme solidão. Digo isto porque a solidão é quando a gente está a procura de algo, principalmente quando este algo é a nossa alma. Leia o texto seguinte de Fátima Irene Pinto e após reflita sobre a tua solidão e verás que talvez não seja tão grande assim:
"Solidão"
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente...
Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto...

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão pela nossa alma.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

somente para rir

O concurso de vestibular 2005/2006 da Universidade da Bahia cobrou como questão dissertativa dos candidatos, a interpretação do seguinte trecho de poema de Camões:

"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer".

Uma vestibulanda de 17 anos deu a sua interpretação:

"Ah! Camões, se vivesses hoje em dia,
Tomavas uns antipiréticos,
Outros tantos analgésicos e
Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
Consultavas a Internet
E descobririas que essas dores que sentias,
Esses calores que te abrasavam,
Essas mudanças de humor repentinas,
Esses desatinos sem nexo, não eram feridas de amor,
Mas somente falta de sexo!"

Recebeu nota dez. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões....

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Florbela Espanca, a alma em expansão.

Conforme José Carlos A. Brito – “Florbela Espanca foi uma poeta de extraordinária sensibilidade, nascida em 1894 em Vila Viçosa, Portugal. Desde criança fazia versos originados de uma necessidade interior, que segundo os críticos, mesmo com erros de ortografia eram avançados em relação à sua idade. É o processo de criação para atender às pressões do inconsciente e que levaram Florbela a uma permanente angustia de nunca conseguir expressar-se na proporção em que a força erótica de sua alma oculta o exigia. Como diz seu critico José Regis, em estudo de 1952: “...Nem o Deus que viesse amá-la, sendo um Deus, lograria satisfazer a sua ansiedade..”.

Abaixo segue três sonetos desta poetisa singular.

EU
Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porque...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!


AMAR
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...Além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem dizer que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso canta-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder...pra me encontrar...

Fanatismo
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Vinte quatro Horas Finais

Propus aos meus alunos de Ensino Médio que escrevessem um texto que narrassem as vinte quatro horas finais de suas vidas, partindo de um inicial parágrafo proposto (em azul). Tinha com objetivo verificar se os conceitos do texto narrativo foram aprendidos e mostrar que em momentos difíceis somos capazes das maiores proezas. Abaixo segue oo texto (em verde) de Brunah Modesto aluna do 2º Ano III da Escola de Ensino Médio Dr. Ruben Roberto Schmidlin.
Vinte e Quatro Horas Finais
Mais um dia de aula e de trabalho e cá estou em casa esperando o final de semana para poder curtir adoidado (a). Não quero dormir porque ainda não me sinto cansado (a). Só um leve desespero por não ter o que fazer, mas tudo bem. Ligo a televisão para assistir o programa do Jô ou na esperança ridícula de ver alguma coisa que realmente preste. Só telejornais. Não dou muita bola. Afinal para que me interessa a economia e a política, nada me ajudará e tudo continuará como está. Paro em um telejornal qualquer e tento prestar atenção e para minha surpresa descubro que o mundo tem apenas 24 horas. Fico atônito e mudo de canal para entender esta coisa toda e descubro a verdade: só tenho 24 horas. Parece até ridículo, meu Deus, e agora?”
O que fazer? Tenho só vinte e quatro horas? Estou desesperada, meu coração acelerou, minhas mãos começaram a suar, não consigo mais pensar em nada, acordar minha família ou esperar amanhecer? Não... Acho que devo acordar se não eles terão menos tempo de vida... Ah!... Já não sei mais nada! Meu Deus me ajude! Preciso de sabedoria agora, devo-me desesperar-me ou curtir o tempo que ainda resta? O tempo está correndo contra mim, ele não espera, não posso mais perder nenhum segundo. Devo me acalmar, pois o desespero não leva a lugar algum.
É chegada às três horas da madrugada e eu nada fiz, abro a janela e vejo as pessoas correndo, minha vizinha saindo de carro, acho que irão viajar, vão para a Enseada ficar com a família. Fico olhando o luar tão belo, não pode ser que o mundo irá acabar?
Muitas dúvidas surgem: será que a vida é uma criação da nossa mente? Temos uma missão aqui? Qual? Por quê? Neste tempo em que vivi, não aproveitei como queria. Eram tantos sonhos, esperanças e agora eles acabam por aqui?
Queria aprender a andar de skate, era fascinda por Down Hill e até tentei comprar uma Crossda Mônaco para praticar, sonhava em acampar no Monte Crista, em Corupá e também no Jurapê. Tive a oportunidade e rejeitei. Que arrependimento! Pensei muitas vezes em começar fazer aulas de bateria ou guitarra. Até falava para meus amigos que ia montar uma banda de rock. Não pode acabar assim. Não! Não! Não pode!... Ah... Mas vai! Não conclui tudo que sonhava, acabei esquecendo que de uma forma ou de outra possuía um tempo determinado aqui neste mundo chamado Terra. Que nada aqui é eterno. Comparo a vida com um despertador programado para um horário e quando ele desperta é chegada a hora de partir. Bom... acho que se eu ficar pensando muito nisso acabo pirando, é muito mistério a ser desvendado. Difícil de compreender.
Meu, vinte e quatro horas, apenas vinte e quatro horas. Existem pessoas morrendo antes. Era a hora delas partir? É fácil para alguns fazerem tudo o que sempre desejaram neste tempo que resta e esquecem o que pode ocorrer depois que tudo aqui findar, mesmo assim creio que nós somos imortais, mesmos que “morramos” aqui na terra. Deve ter outro lugar reservado, uma nova vida... Será...? Será...?
Malditas dúvida! Fico olhando para esse lindo céu, já amanheceu, chegou o último dia, a nuvens em formas de bichinhos, essa brisa suave envolvendo-me, pardais cantarolando, o beija-flor se alimentando do néctar da margarida, nunca tinha prestado atenção, é algo incrível, pois esta é a vida.
E eu cá sentada sobre o piso da casa, com a porta aberta, refletindo nesse grande mistério chamado vida, nesse jogo em qual eu estou incluída. Será que nesses dezesseis anos fiz tudo o que devia? Hum... Houve erros, falhas, mas também acertos e queria poder expressar tudo o que eu penso. Sinto, mas faltam palavras, coragem e há um terrível medo.
Minha família linda, todos estão sabendo da notícia e que trágico! Agora estão na sala da minha casa reunidos e orando ao nosso Deus pedindo perdão pelas falhas do dia-a-dia e o agradecendo por tudo. Afinal Ele merece, criou tudo tão perfeito! Finalmente vi minha família tão unida, tanto amor, como nunca tinha visto antes, bom se fosse antes assim? Ouço choros, gemidos, abraços, beijos, enquanto eu estou aqui analisando os fatos.
Acabo de avistar o Augusto e ele está com seu inseparável Skate e também com seus amigos. Eu sempre o critiquei chamando-o de “Maconheirinho”, o que será que ele vai fazer nessas horas que ainda resta? Tomara que ele me aviste, preciso muito falar para ele tudo o que eu sempre quis e nunca consegui por deixar o nervosismo e o orgulho ter tomado conta de mim e como sempre, me enrolar com as palavras. Agora há uma oportunidade e vou me sentir mais aliviada, confortada sem esse peso. Pronto, está resolvido: vou tomar a iniciativa!
­– Ei, Augusto, venha cá um momentinho, fazendo favor. Bem... eu... é... – Não posso deixar o nervosismo, meu inimigo, bater! – Bom... como eu ia dizendo, quero que saiba que foi maravilhoso poder conhecer você, neste momento quero que saiba que estou pisando no meu orgulho, só para lhe dizer que eu amei você, amar não é fácil, mas o mais difícil é esquecer que todo o amor que eu tinha dei para você, agora é tarde pra voltar atrás e eu sei que tudo pode acontecer, mas também sei que o meu amor por você, não vai morrer assim. Onde quer que eu esteja, sempre lembrarei de você. Os beijos que você me deu estão guardados. Todas as lembranças estão aqui dentro em meu coração. Você será inesquecível, não precisa dizer nada, só em dê um abraço de despedida. Nesse momento em que nós nos abraçamos parecia que o tempo tinha congelado, esqueci de tudo, lágrimas rolaram, senti algo mágico sobre nós. Tudo foi sincero, meigo, lindo, algo realmente extraordinário, porque não fiz isto antes!?
O Augusto foi embora, não me pergunte pra onde, pois não sei, porém o que fiz valeu a pena, finalmente fiz o que sempre desejei. O tempo está acabando, vejo pessoas se suicidando e se chocando em carros. Coisas absurdas que eu nunca pensava presenciar: meninos saindo com três garotas ou mais. “Esses têm fogo”. Pessoas assaltando padarias, levando tudo o que sempre quiseram comer. Vejo até pessoas fazendo misturas muitas estranhas – morango com maionese, salsicha com leite condensado. – “Eca que coisa ruim”! A Paloma batendo na Beth por causa do Flávio, que nesse momento está ficando com outra, até o meu amigo que considero um irmão – o José – está fumando um “beck” e misturando com Amarula, não acredito o “Zé”. Alguns jovens do Pitaguaras estão espancando os policiais que fizeram uma geral neles em uma noite de farra. Estou atônita com os acontecimentos, pessoas desperdiçando seu tempo com bobagens – o que será que elas pensam sobre a vida.
Uma coisa aprendi: existe um tempo para cada coisa e existe um tempo para todas as coisas e o tempo para todas as coisas está se finalizando.
No cronômetro de meu celular marca 23h59, então começo a falar com Deus – “Obrigada pelo dom mais lindo que o senhor me concedeu que é a vida. Desculpe-me pelos erros, mas é normal, somos carnes. Apesar dos problemas, adversidades, foi intenso e muito bom cada segundinho que vivi. Quero que saiba que AMO intensamente e sem comparação”. Só ficou a lembrança dos gritos de desespero das pessoas e o meu olhar fixo no céu.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Cena 5

Em Joinville, desde o dia 06 até 18 de junho está acontecendo a Cena 5 - quinta mostra de Teatro dos grupos joinvilenses. O evento conta com peças encenadas e apresentadas durante o ano passado e também com algumas estréias e re-estréias. Além dos grupos locais, foram convidados grupos de fora da cidade para participações especiais. Os espectáculos serão apresentados no Teatro Juarez Machado e no palco da Cidela Cultural da Antártica. Os ingressos estão a disposição no Quiosque do Shopping Muller. Para saber mais acesso o site: http://www.teatroemjoinville.com.br/
A todos um bom espectáculo