Dever de Sonhar: Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre, pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso. E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis. Fernando Pessoa
domingo, 5 de agosto de 2012
Pensador
Para as primeiras gerações que curtiram RAP no Brasil este cara foi que abriu caminho para toda a galera vir para fazer música. Emplacou várias música de sucesso, mas a melhor de todas sem sombra de dúvidas foi "Quero Chutar a cabeça do Presidente". Entretanto este vídeo mostra o que é prazer de fazer música e escrever que conforme ele vale a pena.
Vamos Viver
Na aula de sexta-feira, dia 03 de agosto, passei ao meus alunos a música do Hebert Vianna - Paralamas do Sucesso - Vamos Viver. Não havia encontrado a música, mas quem quiser escutar a música de que falo. Assista o vídeo.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Não culpem meus vilões queridos....
Se você tem mais do quarenta anos certamente se encaixará no que Eliane Brum, colunista da Revista Época escreveu sobre o maluco que adentrou no cinema atirando nas pessoas nos Estados Unidos. A nosso necessidade de culpar alguém é grande e às vezes apontamos para o lado errado. Para quem das novas gerações fica uma outra visão daquilo que a imprensa e a mídia tenta nos meter como politicamente correto, mas o que será politicamente correto?
Grifo meu, nas parte que julguei interessante, mas se quiser todo artigo na íntegra acesse: "Não atirem no coringa"
Quando eu tinha 8 anos, minha mãe fez uma oferta inédita. Ela tinha ganhado um dinheiro extra em algum trabalho como professora, talvez corrigindo redações de vestibular, e me levou a uma loja dizendo: “Escolha o que você quiser”. Fiquei extasiada. Na minha infância, ao contrário de hoje, se você pertencia a uma classe média remediada, só ganhava presentes no Natal e no aniversário – e eram limitados. Assim, a oferta da minha mãe equivalia à abertura da caverna de Ali Babá de repente, sem aviso e num dia de semana. Olhei para um lado, olhei para o outro, e fui atraída por um objeto reluzente, a réplica exata de um revólver calibre 38, tão fiel que muitas vezes depois seria confundido com um de verdade. “Quero o revólver”, eu disse, para espanto geral da minha mãe, da vendedora da loja e, depois, do restante da família. Você não quer uma boneca? “Não, eu quero o revólver.”
Eu não era estranha às armas de mentira. Passara os últimos anos matando ou sendo morta pelo meu irmão do meio, assim como pelos amigos. Morria ora como cowboy, ora como índio. Por influência ideológica, lá em casa os índios tinham seus dias de glória ao vencer a cavalaria americana. Mas também fui assassinada pelo martelo do Thor, asfixiada pela teia do Homem Aranha e trespassada pela espada do Zorro. Morri dezenas, talvez centenas de vezes, antes de completar 10 anos. E comandei massacres quando ainda era menor de idade. Alguns dos melhores momentos da minha infância foram vividos quando matava ou morria alegremente nas brincadeiras, ressuscitando a tempo de comer o bolinho de chuva da minha mãe.
Mas nunca matei um único passarinho real na minha infância, em uma época na qual isso era comum. Aprendi a pegar os insetos que apareciam em casa pelas asas ou pelas patas e devolvê-los ao lado de fora sem lhe causar danos, exceto baratas e pernilongos. No dia em que matei um filhote de barata, porém, fiquei tão culpada que tentei imortalizá-lo em uma pobre novela escrita em um caderno decorado. Jamais tive ou teria uma arma de verdade, inclusive porque jamais conseguiria usá-la. Votei pela proibição do comércio de armas de fogo e munição no plebiscito de 2005. E, como jornalista, dediquei uma parte significativa da minha vida a denunciar a violência contra os mais fracos e os invisíveis. O que não me impede de ainda hoje explodir cabeças no videogame sempre que possível.
Dias Finais
O final do ano está aproximando e com
a dúvida cruel de que realmente o mundo poderá acabar. Como não creio nesta
balela toda de fim do mundo, creio que seremos mais uma vez jogado neste abismo
da crendice popular de que tudo está por um fio. Entretanto, se mundo realmente
acabar, eis algumas sugestões que duas alunas minhas deram para um fim
muitíssimo próximo.
O Dia Final
São duas horas da manhã, os repórteres
estão falando que amanhã será o último dia na terra. Estou acordada e pensando no
que fazer amanhã, pois é, um dia incomum, afinal o mundo se acabará. Poderia assaltar
uma loja, um mercado, ou um banco, pois imagino que não haverá leis e nada será
de ninguém, mas de nada me adiantaria se não puder aproveitar o dinheiro
depois. Quem sabe me despedir dos meus parentes, mas não é uma boa ideia, pois haverá
muito choro e não gosto de despedidas.
Posso muito bem fazer aquelas coisas
que sempre tive vontade. Saltar de paraquedas, por exemplo, mas imagino que não
serei a única com esta vontade. Tenho desmaios e eu não quero passar meu último
dia de vida e não quero passar meu último dia de vida em um hospital, o que me
parece irônico, pois pra que cuidar de doentes sabendo que depois de amanhã
todos vão morrer.
Posso ir a igreja orar por misericórdia
e pedir perdão por meus pecados, mas posso fazer isso em casa que com certeza Deus
vai me ouvir. Acho que a melhor opção é viver esse dia como outro qualquer. É nesse
momento que a frase “viva cada dia como se fosse o último” se veste de verdade ou
simplesmente se torna uma grande ironia.
Alice Guariniri – 2º Ano 7 / Escola Paulo Medeiros
Meu Último Dia
Apenas um dia e tantos sonhos, tantas
vontades proibidas, mas o que fazer? Conversar apenas com Deus, curtir com os
amigos, aproveitar o namorado ou fiar com a família? Tantos pensamentos e nenhuma
decisão, nunca passei por tamanha dificuldade. Estar aqui no melhor lugar do
mundo: o meu quarto. Ler as cartas que ganhei durante esses anos, relembrar os
bons e maus momentos, pois já decidi o que vou fazer para aproveitar esse meu
último dia.
Depois de ler as cartas, conversar com
Deus, aquele que tanto me ajudou durante todo esse tempo. Após o momento de
reflexão procurarei as amigas. Depois o namorado, aquele que tanto me deu amor
e carinho. E assim vai anoitecendo, voltarei para casa onde a família estará
reunida. Após o jantar deitarei na rede, pois estarei muito cansada. Olharei para
o céu e um pequeno descuido fecharei os olhos e adormecerei.
Heloiza da S. Domiciano – 2º Ano 7 / Escola Paulo Medeiros
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